“O socialismo dura até acabar o dinheiro
dos outros”, já dizia Margaret Thatcher, Primeira-Ministra do Reino Unido entre
1979 a 1990. Com a Venezuela não foi muito diferente. No caso venezuelano, esse
sistema político-econômico se materializou com a chegada de Hugo Chávez ao
poder em 1998, tendo saído com a sua morte em 2013. Após convocação de
eleições, o vice-presidente e afilhado político de Chávez, Nicolás Maduro
assume o poder logo em seguida.
Uma das principais características para
compreender a lógica dos governos de Chávez está no termo “chavismo”, que se
converteu numa espécie de culto a personalidade carismática do chefe do
executivo, adotando política centralizadora, economia dirigida pelo Estado e
seus planejadores, nacionalização de empresas, fechando o país para produtos,
serviços e investimentos externos, controle artificial de preços, limitação e
controle da produção da iniciativa privada. O próprio Chávez denominou essas
práticas de “socialismo do século XXI”.
Pouco importa qual a versão desse
sistema, a primeira ou a do “século XXI”, o resultado do socialismo sempre será
o mesmo. Prateleiras de supermercados vazias, fome, miséria, ausência de
liberdade, burocracia, corrupção, perseguições e prisões políticas, mortes e, no
auge da crise, trabalhadores, empresários, industriais, criadores e inovadores
deixando o país.
Esse cenário desolador poderia ter sido
evitado, pois já fora experimentado em diversas partes do mundo (Rússia,
Alemanha, Itália, Cuba, Coréia do Norte etc) e também já foi objeto de análise
por muitas mentes brilhantes. Uma delas é a filósofa russa-americana Ayn Rand,
que em 1957 publicou sua mais triunfal obra, “A Revolta de Atlas”, considerado
o segundo livro mais lido nos EUA, seguindo apenas pela Bíblia, segundo a
Biblioteca do Congresso Americano.
Trata-se de um livro do gênero romance
em que, num mundo incerto e fictício, diversos países são regidos por
“repúblicas populares” com forças de esquerda no poder. Mundo este repleto de
políticas e ideias coletivistas, busca pelo “bem estar social”, desrespeito a
propriedade privada, desprezo a iniciativa privada, ao trabalho e a inovação,
onde a nacionalização de empresas é usual.
Nesse mundo sombrio regido por
planejadores burocratas, os trabalhadores, os pensadores, os inovadores e os
criadores carregam o mundo em suas costas, assim como Atlas carregava o peso
dos céus após o castigo eterno aplicado por Zeus, deus do Olímpio da mitologia
grega.
Com a intervenção estatal cada vez mais
forte sufocando e privando os interesses individuais dos sujeitos, a corrupção
e a burocracia a todo vapor e a economia em crise, um fato começa a acontecer,
os trabalhadores, os líderes empresariais e industriais, as grandes mentes das
artes e das ciências, os inovadores começam a desaparecer ou a entrar em
colapso, largando seus negócios.
Voltando para a realidade de nosso país
vizinho, venezuelanos que carregavam o país em seus ombros não aguentam mais a
presença estatal em todos os aspectos de suas vidas, resultando em êxodo em
massa em busca do sonho de dias melhores em outros países com maiores
liberdades, como a Bolívia, Chile, Brasil.
Seja no mundo real da Venezuela ou na
majestosa ficção criada por Ayn Rand, acredita-se que certas ideias, filosofias
ou agendas político-econômica sempre provocam os mesmo resultados, notoriamente
conhecidos. Por este motivo que outra mente brilhante, o liberal Ludwing von
Mises, já disse que “ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão”. Que a
história não se replique em outros quadrantes do mundo.
*Texto produzido em fevereiro de 2019. Contexto histórico.

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