Bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki - A visão Estratégica Militar dos Estados Unidos


Esse é o primeiro texto da série: "As Bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki em variados pontos de vista".

Cada uma dos textos que serão publicado aqui no Blog irá abordar o referido tema sob um diferente ponto de vista, sob um novo enfoque.







Nesse primeiro texto, trataremos do seguinte assunto - "A Visão Estratégica Militar dos EUA para utilização das bombas atômicas contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki".





Para iniciar os trabalhos, vamos contextualizar historicamente alguns eventos importantes envolvendo o Império do Japão entre o início do séc. XX até a Segunda Guerra Mundial:




1904 - A Guerra Russo-Japonesa e o início da política expansionista japonesa na região periférica do oceano pacífico
- Em razão de ser um país de um pequeno território e cercado pelo mar, o Império Japonês decidiu por aumentar sua influência em territórios periféricos, tais como Manchúria Chinesa e na Península Coreana.
- A Russia também apresentou interesse nessas regiões, ocasionando a chamada Guerra Russo-Japonesa entre 1904 a 1905. Ocorreu uma majestosa vitória japonesa sobre os russos, o que resultou na anexação da Península Coreana ao Japão em 1910 e aumentou as pretensões da elite militar japonesa na política de expansionismo.


- 1931/1941 - A Invasão a Manchúria Chinesa e da Indo-China e os Embargos econômicos dos EUA
- Insatisfeita e ganancioso, o Império Japonês decidiu por invadir a China, chegando a conquistas vastos e importantes territórios como a Manchúria Chinesa.
- Estima-se que 30 milhões de chineses foram mortos diretamente e indiretamente pela guerra  provocada pelo Japão.
- Apesar das inúmeras vitórias militares japonesas, os chineses não desistiram da batalha, impondo forte resistência às tropas japonesas, que estavam necessitando de quantidades cada vez mais volumosas de material humano e bélico.
- O Japão chegou até mesmo a invadir a Indo-China, até então uma Colônia Francesa.
- Preocupado com as pretensões militares japonesas, os EUA, acompanhado de outros países, decidiu por impor embargos financeiros e materiais (principalmente petróleo) ao Japão.
- Reino Unido e outros países acompanharam o
s EUA, impondo embargos financeiros e materiais ao Japão.
- O petróleo, carvão e minério de ferro japonês começaram a entrar em zona de risco devido ao alto consumo das guerras que estavam travando e em razão dos embargos sofridos.






- 1941 - A invasão Japonesa à diversas ilhas do pacífico e o ataque a base naval norte-americana Pearl Harbor
- Devido a escassez de recursos naturais impostas ao Japão, restam apenas duas alternativas, render-se ou lutar.
- O Império Japonês decidiu por lutar. Em 1941 invadiu diversas países e ilhas próximas de seu território pertencentes a outras nacionalidades, o que lhe garantiu recursos naturais para continuar suas políticas expansionistas na Guerra.
- Paralelamente, decidiu por atacar a base norte-americana de Pearl Harbour, a qual representava uma ameaça as pretensões expancionistas japoneses no pacífico, o que motivou a entrada oficial dos EUA na II Guerra Mundial.









- 1945 - Render-se jamais e a cultura Samurai Japonesa

- Diversas batalhas entre os EUA e o Japão Imperial foram travadas ao longo dos anos, principalmente na região do pacífico próximo ao Japão.
- Os EUA estavam atacando ferozmente tais regiões anteriormente conquistadas pelo Império Japonês.
- Nessas batalhas, o mundo ocidental ficou abismado com a cultura militar japonesa e o seu jeito de lutar. O lema "render-se jamais" era levado ao extremo pelos soldados japoneses, que se matavam ou lutavam até a última bala.

- Em um último ato de desespero, haviam duas escolhas, ou o soldado japonês se matava e atacava desesperadamente seus inimigos armas brancas corpo-a-corpo, quando acabavam todas as suas balas
- As ordens de não rendição emanadas pelo imperador, surtiam efeitos estarrecedores.
- O imperador japonês era tratado com divindade entre os homens, resultando num fanatismo japonês difícil ou até mesmo impossível de ser compreendidos pelas culturas ocidentais.
- Devido a esses fatores, batalhas extremamente sangrentas e desumanas foram travadas na região do pacífico.
- Os japoneses não compreendiam o conceito de rendição. Pelas culturas samurais, render-se
significava abrir mão de sua dignidade, de seus valores, sendo um ser desprezível. Esse entendimento explicava a forma desumana que os japonês tratavam seus prisioneiros de guerra.
- A batalha que merece destaque para nossos propósitos é a batalha travada na periférica ilha de okinawa.





- A bárbara batalha da ilha de okinawa e a feroz resistência japonesa



- A ilha foi defendida por mais de 200 mil soldados e milicianos japoneses.

- Haviam milhares de homens do campo que combatiam os norte americanos bem treinados, armados e equipados, o que resultou em verdadeira barbaridade.



- O resultado final foi uma carnificina jamais vista até então.
- O lema "render-se jamais" foi levado ao extremo, principalmente quando ficou evidente a vitória americana.
- Dos 200 mil combatentes japoneses, apenas 7 mil foram capturados vivos, a maioria destes porque estavam demasiadamente cansados ou feridos para seguir lutando ou porque suas condições físicas impediam de sequer tirar sua própria vida.
- Milhares de cidadãos japoneses suicidaram-se brutalmente jogando-se de altos penhascos contras as rochas. 3 em cada 10 civil optaram por essa escolha, obedecendo a decisão do Imperados japonês que nunca render-se.
- Famílias inteiras lançavam-se à morte, incluído mães com seus bebês, idosos etc, o que fora visto como uma questão seríssima pela Elite Militar norte-americana.


- Mundo cansado da Guerra e a Operação Donwfall" 
- Em razão do quadro extremamente estarrecedor vivenciados pelos americanos na batalha travada na periférica ilha de okinawa, a elite militar dos EUA ficou preocupada sobre quais seriam os resultados de uma eventual invasão naval dos Aliados nas ilhas principais do Japão, e principalmente de Tóquio.
- A certeza seria que os japoneses não iriam render-se facilmente, lutando até o seu último civil.
- O resultado seria mais carnificina de ambos os lados.
- Se na pequena e periférica ilha de okinawa 200 mil japoneses lutaram até a morte de forma brutal, utilizando-se de facas e qualquer tipo de material no ataque final contra os americanos, imagina o que aconteceria numa eventual invasão anfibria dos Aliados nas principais ilhas do Japão? - pensavam os estrategistas americanos.
- De acordo com estimativas de especialistas da época, em uma eventual invasão anfíbia dos Aliados nas principais ilhas do Japão: a) 3 a 4 milhões de civis e 4 milhões de militares japoneses seriam mortos, feridos ou desaparecidos; b) 500 mil baixas americanas, entre feridos e desaparecidos ou até mesmo 1 milhão de baixa de soldados dos Aliados; c) seria uma batalha sangrante e desumana, além de longa, perdurando por até 3 anos; d) resultaria na destruição total do Japão e, principalmente, e) o mundo já estava cansado da Guerra, a opinião pública interna americana era totalmente contrária a opção de colocar em risco a morte de milhares de soldados, além daqueles milhares que já haviam sido mortos ao longo dos anos de batalhas.





- Visão Militar do Império Japonês sobre eventual invasão dos Aliados em sua ilhas principais
- Por outro lado, a elite japonesa tinha plena consciência de que seus soldados formidáveis e insubmissíveis, iriam resistir bravamente até a última gota de sangue, resistindo a baixa na casa dos milhões de japoneses em prol de seus ideais.
- O Alto Comando japonês também tinham conhecimento de que a política interna Americana estava voltada ao fim da guerra, principalmente em razão das inúmeras baixas da soldados americanos já contabilizados.
- A opinião pública americana não iria aceitar eventual baixa de mais milhares de soldados americanos que seriam necessários para uma invasão bem sucedida nas principais ilhas japonesas.
- A elite japonesa não se preocupava com seus civis, possuindo planos de utilizar a população civil  para oferecer resistência ao ataque dos inimigos, ainda que para cada 20 japoneses fossem mortos, 1 soldados Aliados também seria.
- Essa era a forma de lutar desejada pelo Almo Comando japonês.
- Ao longo da eventual guerra travada ou até mesmo antes dela, a opinião pública americana atacaria fortemente a luta armada, o que permitiria a negociação de um armistício com  condições mais favoráveis em prol do Japão.

- CONCLUSÕES:
- Em razão dessas circunstâncias, os ataques nucleares de Hiroshima e Nagazaki foram escolhidos pelos EUA em razão dos seguintes motivos:




A - Dar um basta rápido, eficaz e definitivo à guerra do pacífico, evitando-se maiores desgastes materiais e humanos (principalmente de americanos), forçando uma rápida rendição japonesa.




B - A utilização das bombas atômicas mandariam um recado indireto para o Exército Soviético, no sentido de que os EUA possuíam a arma mais mortífera do mundo e que não possuíam receito de utilizá-la contra seus inimigos. Isso porque na época dos acontecimentos, o exército soviético era o maior em termos de números do mundo, representando uma ameaça para o sistema capitalista norte-americano e para os próprios países Aliados situados na Europa, onde já haviam milhões de soldados soviéticos instalados.

- Em 6 de agosto de 1945, a cidade de Hiroshima foi atacada.
- Em 9 de agosto de 1945, a cidade de Nagasaki foi bombardeada.
- Em 12 de agosto de 1945, o Japão se rendeu oficialmente por intermédio de seu Imperador Hirohito.



SUGESTÕES PARA ANÁLISES COMPLEMENTARES:










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