Os efeitos sobre o seu bolso com a greve dos caminhoneiros

Interferência governamental no mercado, corrupção, práticas de compadrio e interesses privados. Esses são alguns dos principais fatores internos que motivaram a crise dos combustíveis e a greve dos caminhoneiros que assolou o país recentemente. Mas o final da história é sempre o mesmo, a população paga a conta. 

Em 2009, o Governo brasileiro decidiu “incentivar a economia”, favorecendo certos setores da economia com a criação do Programa de Sustentação de Investimento (PSI), que concedeu crédito fácil a empresas e caminhoneiros para adquirirem caminhões. Nos anos seguintes, foi possível perceber a consequência desejada: ocorreu o aumento exponencial de caminhões. Faltou combinar com os russos, ou melhor, com a demanda, especialmente durante a recessão que assolou o país. Resultado? O decaimento dos preços dos fretes, obedecendo a lei da oferta e procura.

Entre 2011 e 2014, o Governo adotou medida populista de congelamento artificial do preço dos combustíveis. Assim, o preço dos combustíveis deixou de acompanhar as leis de mercado e a variação internacional. Qual consequência? Resultado deficitário da Petrobrás. Concomitante a tudo isso, desvendou-se um sofisticado sistema de corrupção nessa companhia petrolífera, envolvendo o alto escalão político brasileiro, empresas e outros personagens. A Operação Lava Jato está ainda desvendando esse cenário até então desconhecido do público geral. Mais prejuízos bilionários na conta da estatal brasileira.

Recentemente, veio a tona a chamada greve dos caminhoneiros. A princípio, a motivação seria algo digno de filme, uma basta contra os sucessivos aumentos do preço do diesel e os altos encargos tributários. Grande parcela da população brasileira, formadores de opinião e de políticos endossaram a causa.



O Governo brasileiro cedeu a pressão e as reivindicações, adotando, uma vez mais, medidas intervencionistas no mercado, privilegiando esta atividade econômica. Medidas adotadas: redução e o congelando do preço do diesel, isenção do pagamento de pedágios, tabelamento do preço mínimo dos fretes etc. Estima-se que esse subsídio do diesel provocará R$ 10 bilhões de prejuízo aos cofres públicos, ou melhor, ao nosso bolso, dos contribuintes.

Diante desse breve cenário, não havia qualquer dúvida quanto à possibilidade de aumento exponencial do preço dos combustíveis, reflexo imediato do quadro interno e da crise internacional do mercado de petróleo, fruto, dentre outras coisas, da crise na Venezuela, do fortalecimento do dólar americano, das sanções dos EUA ao Irã, etc.

A história já demonstrou que os reflexos de medidas políticas intervencionistas e desprovidas da devida reflexão podem provocar cenários político-econômicos explosivos. Basta citar, como exemplo recente, os inúmeros planos econômicos implementados na era Sarney, quando o congelamento de preços deixou a economia em chamas.

Atualmente, para custear os subsídios aos caminhoneiros, empresas terão que pagar bilhões de reais, provocando o aumento do preço de produtos e serviços e a diminuição na geração de empregos. Menos emprego representa menos renda, menos comida na mesa do trabalhador brasileiro.



Desafios complexos exigem soluções e reformas complexas. A adoção de medidas sem prévia análise e planejamento apenas posterga a solução adequada e definitiva, fomentando a miséria que recai sobre a maioria da população brasileira. Somente instituições políticas e econômicas inclusivas, que estimulem a liberdade econômica, são capazes de construir nações prósperas. Do contrário, só restará a Venezuela como exemplo. Preferimos o Chile.
  


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- Agradeço ao meu pai, eterno amigo e conselheiro, Rodrigo Cardoso Freitas, pelas especiais ponderações realizadas sobre o texto. 

- Artigo publicado no Jornal "A Palavra" de Alegre/ES, na coluna "Reflexões", edição junho/2018.





















- Esse mesmo texto foi utilizado como requisitos para evolução no Instituto Jovens Líderes de Aracruz/ES, que tem por objetivo a formação de líderes e empreendedores comprometidos com o contínuo desenvolvimento do Estado do Espírito Santo e do Brasil, a partir de uma proposta desvinculada do sistema de formação tradicional e baseada em princípio liberais.

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